Publication Date: 02/05/2024
International Conference: Peripheries in Times od crisis
PERIPHERIES IN TIMES OF CRISIS:
January 30-31, 2025
Coincidente com os 80 anos da libertação de Auschwitz, esta conferência terá lugar na ilha da Madeira, nomeada pela linguagem jurisdicional como “região ultraperiférica”, mas que se tornará durantes estes dias um centro de reflexão académica transdisciplinar sobre questões por ela tocadas desde a História à atualidade: durante o século XIX refugiaram-se na Madeira membros das famílias reais europeias (não só) por razões de saúde e lazer, judeus em fuga da política nacional-socialista, e nómadas digitais em virtude da crise pandémica de 2020, demonstrando que os fenómenos de migração e mobilidade articulam bem-estar e violência na oscilação de lugares periféricos enquanto margem e centro. Por último, a Madeira faz parte da Macaronésia (‘as ilhas afortunadas’), uma região biogeográfica onde o formato da ilha atlântica vulcânica é ponto de referência geocultural, estendendo-se de Cabo Verde aos Açores, arquipélagos onde coexistem vários dos aspetos em consideração neste encontro: as Ilhas Canárias são destino de migrantes da costa africana, os Açores são tradicionalmente lugar de emigração para o continente americano, e Cabo Verde repositório de histórias traumáticas, como as do colonialismo e do Campo de Concentração do Tarrafal.
A conferência Periferias em Tempos de Crise tem por objetivo alargar esta discussão a outros e diversificados contextos sob o olhar das Artes e das Humanidades, reunindo investigadores de áreas como as ciências da cultura e da literatura, os estudos da linguagem e da tradução, passando pela história e pela comunicação, não excluindo contribuições de outras áreas que se afigurem pertinentes na análise de representações, narrativas e discursos relacionados com momentos de crise. São especialmente bem-vindas propostas que incidam sobre realidades periféricas para além do continente europeu e do mundo lusófono e anglo-saxónico. Pretende-se desafiar a própria etimologia da palavra ‘periferia’ enquanto circunferência, promovendo, com Walter Benjamin, a distinção entre o limiar – zona híbrida onde fervilha a imaginação – e a fronteira – categoria burocrática, linha única de barragem e de separação (Barrento, 2022: 87). Neste sentido, entende-se a periferia como literal e metafórica, incluindo tanto o interesse por ilhas, subúrbios e regiões como por identidades, representações e histórias periféricas, usualmente ignoradas ou discriminadas.
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Prazo para submissão de propostas prorrogado até 30 de junho de 2024.
Enviar para: periferias.crise@mail.uma.pt
Membros da FAH: isenção de pagamento de inscrição.
Para mais informações: http://ceh.ilch.uminho.pt/ehum2m
Enquanto fenómeno indissociável de uma sociedade do risco, a crise tornou-se latente no mundo global hipermoderno, funcionando como conceito operatório para uma cronologia das últimas décadas: crise das dívidas soberanas, crise dos refugiados, crise pandémica, crise da habitação, crise educativa, crise climática, crise nuclear, crise identitária, crise demográfica. Da economia à cultura – áreas disciplinares distantes que recorrem frequentemente à metáfora da margem ou da fronteira – denota-se o recurso ao binómio centro-periferia como tropo do discurso mediático sobre crises. Este discurso é multímodo e multidirecional: por um lado, contempla as periferias como lugares culturalmente determinados e determinantes, ao mesmo tempo que produtores do medo enquanto limiar para o desconhecido. Tome-se o exemplo do Mediterrâneo, imaginário de odisseias fundacionais do Ocidente e barreira trágica para migrantes e refugiados. Não alheio a este primeiro aspeto, o binómio centro-periferia também relocaliza objetos de estudo tradicionalmente invisibilizados enquanto focos de interesse. É o caso dos estudos pós-coloniais e da negritude, os estudos de género e queer, os mobility studies ou os border studies. Por último, o centro e a periferia tornaram-se particularmente prementes na discussão sobre migração e mobilidade do mundo globalizado, desde as ‘ondas’ de refugiados de guerra para a Europa e de refugiados climáticos para o norte global, a emigração económica das periferias europeias para o centro, ou a fuga aos constrangimentos pandémicos na direção contrária.
Coincidente com os 80 anos da libertação de Auschwitz, esta conferência terá lugar na ilha da Madeira, nomeada pela linguagem jurisdicional como “região ultraperiférica”, mas que se tornará durantes estes dias um centro de reflexão académica transdisciplinar sobre questões por ela tocadas desde a História à atualidade: durante o século XIX refugiaram-se na Madeira membros das famílias reais europeias (não só) por razões de saúde e lazer, judeus em fuga da política nacional-socialista, e nómadas digitais em virtude da crise pandémica de 2020, demonstrando que os fenómenos de migração e mobilidade articulam bem-estar e violência na oscilação de lugares periféricos enquanto margem e centro. Por último, a Madeira faz parte da Macaronésia (‘as ilhas afortunadas’), uma região biogeográfica onde o formato da ilha atlântica vulcânica é ponto de referência geocultural, estendendo-se de Cabo Verde aos Açores, arquipélagos onde coexistem vários dos aspetos em consideração neste encontro: as Ilhas Canárias são destino de migrantes da costa africana, os Açores são tradicionalmente lugar de emigração para o continente americano, e Cabo Verde repositório de histórias traumáticas, como as do colonialismo e do Campo de Concentração do Tarrafal.
A conferência Periferias em Tempos de Crise tem por objetivo alargar esta discussão a outros e diversificados contextos sob o olhar das Artes e das Humanidades, reunindo investigadores de áreas como as ciências da cultura e da literatura, os estudos da linguagem e da tradução, passando pela história e pela comunicação, não excluindo contribuições de outras áreas que se afigurem pertinentes na análise de representações, narrativas e discursos relacionados com momentos de crise. São especialmente bem-vindas propostas que incidam sobre realidades periféricas para além do continente europeu e do mundo lusófono e anglo-saxónico. Pretende-se desafiar a própria etimologia da palavra ‘periferia’ enquanto circunferência, promovendo, com Walter Benjamin, a distinção entre o limiar – zona híbrida onde fervilha a imaginação – e a fronteira – categoria burocrática, linha única de barragem e de separação (Barrento, 2022: 87). Neste sentido, entende-se a periferia como literal e metafórica, incluindo tanto o interesse por ilhas, subúrbios e regiões como por identidades, representações e histórias periféricas, usualmente ignoradas ou discriminadas.
Barrento, João (2022). Walter Benjamin: A sobrevida das ideias – ensaios e diário. Famalicão: Edições do Saguão.
Sob consideração de todos estes aspetos, convida-se a comunidade académica a submeter propostas de comunicação numa das seguintes temáticas, que de modo algum são exclusivas:
1. Migração, periferias e crise.
2. Catástrofes, fronteiras, margens e espaços limiares.
3. Viagens, exílios e confinamentos em tempos de crise.
4. Identidades minoritárias e crise.
5. Culturas insulares, suburbanas e transnacionais em crise.
6. Representação e memória de refugiados, deslocados e nómadas.
7. Utopias e heterotopias em tempos de crise.
8. Crise e pensamento na / sobre a margem, a fronteira e os espaços limiares.
9. Linguagem, discurso, tradução e periferias.
COMISSÃO ORGANIZADORA
Luís Pimenta Lopes (EHum2M-CEHUM / Universidade da Madeira)
Mario Franco Barros (CECC / Universidade da Madeira)
Orlando Grossegesse (EHum2M-CEHUM / Universidade do Minho)
Paul Gross (Universidade da Madeira)
COMISSÃO CIENTÍFICA Ana Isabel Moniz (CEC / Universidade da Madeira)
Burghard Baltrusch (I Cátedra Internacional José Saramago, Universidade de Vigo)
Carmen Zamorano Llena (Högskolan Dalarna)
Fernando Ferreira Alves (Coord. EHum2M, Universidade do Minho)
Júlia Garraio (CES, Universidade de Coimbra)
Romana Radlwimmer (Goethe-Universität Frankfurt)
Rui Miranda (University of Nottingham)
Sandra Ponzanesi (Utrecht University)
INFORMAÇÕES PRÁTICAS
A conferência internacional Periferias em Tempos de Crise terá lugar em formato presencial no Colégio dos Jesuítas (Reitoria da Universidade da Madeira), localizado no centro do Funchal. As línguas de trabalho são português, inglês, espanhol e alemão. As comunicações não devem ultrapassar os 20 minutos.
As propostas devem ser enviadas para <periferias.crise@mail.uma.pt> até 31 de maio 30 de junho de 2024, com: nome, e-mail, afiliação institucional, título, resumo até 300 palavras, 5 palavras-chave, e nota biográfica até 100 palavras. Após aceitação da proposta submetida, recomenda-se uma reserva atempada de voos e de alojamento, uma vez que o arquipélago da Madeira é um destino apreciado durante o ano inteiro.
DATAS IMPORTANTES
Prazo para submissão de propostas: 31 de maio até 30 de junho de 2024.
Comunicação de aceitação: até 30 de junho de 2024.
Inscrição antecipada – early bird (70€): 3 de junho de 2024 – 2 de setembro de 2024.
Inscrição standard (90€): 3 de setembro de 2024 – 7 de outubro de 2024.
Submissão do texto para publicação: Prevê-se a publicação, em formato digital ou impresso, de um conjunto de comunicações selecionadas, mediante revisão por pares.
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