Data de publicação: 02/05/2019

Conferência Improviso como cultura de disputa

No âmbito duma investigação em curso (projeto EcoMusic) pretende-se identificar sentidos e significâncias do improviso, conforme se manifesta na atual prática charambista madeirense. O universo empírico visado assenta no facto de já em pleno século XXI se terem realizado quase uma dezena de encontros de charambistas, o que pode indiciar existir um movimento de improvisadores, apostado no ressurgimento desta prática de repentismo. O enfoque foi colocado na visão emic desta manifestação expressiva, com vista ao seu melhor conhecimento. Há que identificar cantadores, tocadores, observar e registar a interação com a assistência – a sociabilidade gerada, o quadro performativo -- por um lado, que se cruza com mais fatores, como idade, género, classe social.
No plano teórico, o desafio que se coloca tem os seguintes contornos: (1) essência, coesão e reprodução do charamba madeirense como prática de improviso, (2) sua relação e estatuto perante o movimento folclórico, (3) papel desempenhado pela prática charambista atual no quadro da relação entre escrita, oralidade e digital, (4) enquadramento das práticas de oralidade secundária no pós-folclorismo.


SOBRE JORGE FREITAS BRANCO

Professor Doutor Jorge Freitas Branco (Dr. Phil. Universität Mainz, Alemanha) é professor catedrático de antropologia no ISCTE Instituto Universitário de Lisboa e investigador no CRIA-IUL. Lecionou ainda nas universidades de La Laguna, Tenerife (1992) e Complutense de Madrid (2010). Foi professor visitante nas universidades de Leipzig (1996-97), de Marburg (2000) e na Federal de Pernambuco, UFPE, Recife, Brasil (2010). Investigação de terreno em Portugal continental, ilhas atlânticas (Madeira, Porto Santo), Alemanha, Brasil e França, com projetos desenvolvidos e publicações nos seguintes domínios: materialidades, técnica, culturas populares, história das antropologias marginais, museus e coleções, laicismo.